E como fica o povo?





Duas manchetes do Jornal Diário do Nordeste do dia  30 de abril de  2010 me fizeram refletir sobre a situação dramática que vive o povo brasileiro  e entender o motivo de tanta agonia.

Primeira manchete - Desvio de verbas  em 11 munícipios do Ceará. Investigação da Polícia Federal realizou apreensões de equipamentos e prisões. A polícia acredita que 30% dos recursos federais enviados a esses municípios foram desviados.

Segunda manchete - Dois bancos assaltados no interior.  Nos dois assaltos, os criminosos agiram com muita violência, e não encontraram resistência do efetivo policial.

A pergunta é: e como fica o povo?

Os políticos e seus asseclas, que recebem salários para administrar os recursos e defender os direitos do povo,  estão numa situação muito cômoda -  não precisam sequer empunhar armas para roubar. Tudo é feito na maior "cara de pau". O lema deles é por demais conhecido: quem parte e reparte e não fica com a maior parte, ou é bobo ou não conhece a arte.

A consequência disso não pode ser outra senão a péssima qualidade dos serviços públicos de primeira necessidade - saúde, educação, moradia... 

E não me venham dizer que é preciso separar o joio do trigo... que não são todos que roubam... que existem existem políticos honestos, etc... etc. Eu até acredito que devam existir. Já imaginou se todos fossem ladróes? Mas a classe política tem uma característica incompreensível e "sui generis" -  os honestos  sabem quem são os desonestos, e conseguem conviver com eles... apertar suas mãos... olhar nos seus olhos... ouvir o que dizem nos seus discursos... acreditar nas suas pregações em prol do povo... como se estivessem todos orando num convento de frades franciscanos. Será que esses,  ditos "honestos", não têm contas a prestar aos seus eleitores? Será que eles, que tudo sabem mas nada dizem, não se incomodam de serem vistos pelo povo como farinha do mesmo saco?  Se, como donos do poder, não temem as próprias lei que ajudam a promulgar, se acham tão poderosos a ponto de nem sequer temer a Lei de Deus? 

A situação é essa:

De um lado, os políticos desonestos. Do outro, os assaltantes e ladrões.
Entre os dois - o povo.

Qual desses dois você acha o mais perigoso?
Na minha humilde opinião, não existe qualquer dúvida - o mais perigoso é o primeiro grupo. Sim, o dos políticos!
Você até poderá tentar defendê-los dizendo que pelo menos não pegam em armas e não matam!
Isso é o que você acha.
Faça o seguinte: amanhã saia bem cedinho de casa e faça uma visita aos hospitais... às escolas... às creches... aos bancos de saúde... Veja em que situação estão... sem médicos... sem remédios... sem equipamentos... sem instalações... sem carteiras... sem meranda escolar...
E porque estão nessa situação? Porque grande parte das suas verbas foi desviada para os bolsos dos políticos.

E tem mais! A quandidade de dinheiro roubada pelos ladrões comparada ao montante desviado pelos políticos desonestos é uma gota de água no oceâno. A proporção de pessoas prejudicadas é de um para um milhão. E nesse milhão a grande maioria são crianças!

Mas o mesmo já não se pode dizer  em relação à quantidade de políticos desonestos presos. Não que os ladrões de profissão não mereçam ser presos. Sim, ele merecem e devem! Mas a proporção deveria ser outra bem diferente da que acontece na realidade.

Enquanto perdurar essa mentalidade , seremos eternamente um país rico,  formado por um povo pobre, analfabeto, inculto e doente.

Comentários

Jorge disse…
Olá Luiz António!
Já o Padre António Vieira dizia: "Acaso não se emendarão aqueles que praticam a iniquidade, que devoram meu povo como se fosse pão"!?
Um abraço.
Jorge
Jorge disse…
Olá, Luis António!
É só para deixar um abraço.

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