Droga - uma questão de consciência!



Eu sei que um "careta" como eu, que nunca fumou, nunca usou droga e que bebe um copo de vinho a cada 6 meses, não é a pessoa mais indicada para falar sobre o assunto mas, preocupado que estou com o rumo que as coisas estão tomando, não poderia deixar de me manifestar.

Prefiro errar pelo excesso do que pela ausência. E pra não dizer que não falei das "flores", vamos lá!

Dizem os estudos que vinte e cinco por cento da população mundial usa algum tipo de droga.

Eu não sei se esse número deveria ser divulgado. Sabe por quê? Porque a forma de pensar dos viciados é tão diferente, que o simples fato de saber que um quarto da população está na mesma situação, pode lhes servir de consolo e até estímulo, ao verificarem que não estão sozinhos nessa onda. As empresas divulgam sua força através dos números que representam a sua participação de mercado. Será que os traficantes, organizados como estão, não adotam o mesmo instrumento de marketing?

Não consigo deixar de me questionar como os jovens, que passam toda a infância e juventude numa guerra de braços com os pais para se tornarem independentes e terem o direito de assumir suas vidas e fazerem delas o que bem entenderem, acabam colocando a sua liberdade nas mãos de um traficante que nada mais quer do que o seu dinheiro.

Que desamor é esse que mesmo sabendo que está se autodestruindo não consegue reunir forças para se livrar do vício?

Não querendo ser pessimista, mas considerando o pouco ou nada que vem sendo feito pelos governos para reduzir o número de viciados, só posso ver um futuro muito sombrio para os nossos jovens.

Faço uma pergunta a você, que me honrou com a sua visita ao meu blog - daqui a 10 anos você acredita que esse percentual que hoje é de 25%, será maior ou menor?

Eu não tenho soluções a propor.  Até porque reconheço que não é apenas com retórica ou conselhos que se leva uma mente viciada a abandonar o vício. Não adianta dizer a um drogado que largue essa vida ou que o vício irá destruí-lo. No seu intimo, ele sabe disso.  O vício é doença emocional, que se transforma em doença física e depois na pior de todas as doenças - a da alma.

Quando surge na vida de alguém, a droga passa a ser o combustível, e o traficante o piloto.  Enquanto existir dinheiro para pagar o combustível, a nave estará sendo govenada. Quando o dinheiro acabar, o  viciado estará entregue à própria sorte. Na grande maioria das vezes o desgoverno termina na morte.

Como disse, não tenho solução. Aliás, tenho sim! As que considero melhores, são de resultado muito lento. As mais radicais... bem, essas são impublicáveis.

Dar-lhes mais amor, poderia ser uma solução. Mas o mundo atual está deixando de cultuar o amor humano, para se voltar para o amor material.  E sendo assim, ninguém pode dar aquilo que não tem. Não se morre mais por amor ao bem amado.  Mata-se por amor ao bem material. 

Pelo que vejo só nos resta, a nós pais,  continuar assistindo a caminhada dos nossos filhos em direção ao precipício, sem mais nada poder fazer senão derramar lágrimas de saudade por quem ainda não partiu mas, mesmo estando ao nosso lado,  já está tão longe de nós.

Comentários

puga assis disse…
Bela abordagem a uma situação que envenena muitos dos nossos jovem que por sua vêz envenenam tudo à sua volta, a começar pelo ambiente familiar.
É dramático velos caminhar para o abismo recusando todas as mãos que lhes são estendidas para os ajudar.
A realidade porém é que nós podemos mudar-nos a nós próprios, mas não temos poder para mudar os outros.
Os pais com filhos em tal situção devem procurar separar «o que é deles» daquilo «que é dos filhos»,
para não serem arrastados para a depressão e assim perderem toda a capacidade de ajuda.
Ajuda que não vai além do amor humano que referes, uma vez que o tratamento e a mudança só dependem do próprio.
Mais uma vez os meus parabéns pela forma pedagógica e exemplar como abordas esta drama.
Grande Abraço, Zito

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